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HISTÓRIA DA ARTE ABSTRATA

ABSTRACIONISMO
Arte Abstrata é uma forma de arte que não busca nem demonstra o mundo que está ao nosso redor. São obras que não representam objetos reconhecidos. A arte abstrata refere-se especialmente às formas de arte do século XX, quando a ideia da arte como imitação da natureza foi abandonada...
Entre os pioneiros da arte abstrata estão Mondrian e Malevich, entre outros.
1866-1944 — Wassily Kandinsky
1879-1953 — Francis Picabia
1881-1939 — Albert Gleizes
1881-1955 — Fernand Léger
1883-1956 — Jean Metzinger (Cubista)
1888-1964 — Roger Bissière
1891-1976 — Max Ernst
1896-19?? — Honoré Marius Bérard
1896-1987 — André Masson
1897-1981 — Roger Chastel
1911-1993 — Alfred Manessier
Veja Girafa em brinquedo de Joaquín Torres García...
                                                   
                                                  WASSILY KANDINSKY (1866-1944)
Kandinsky tirou da arte a sua obrigatoriedade de representação da realidade, inaugurando o ciclo abstracionista com sua primeira aquarela abstrata (1910). Alguns artistas já haviam feito experimentos com a dissolução de imagens, mas Kandinsky foi o mais consistente e lógico na busca de um modo de expressão não figurativa...
Nasceu em 1866, em Moscou, na Rússia. Sua primeira vontade foi ser músico. Entretanto, formou-se em direito e economia política na Universidade de Moscou. Aos 30 anos, encantado com um quadro de Monet, abandonou a carreira jurídica. Em 1900, em Munique, formou-se pela Academia Real.
Seus primeiros trabalhos exprimiam a musicalidade e o folclore russo, aliás, na obra do pintor há muitas referências ao folclore russo. Em Paris, onde viveu por um ano, Kandinsky entusiasmou-se pelas artes aplicadas e gráficas, bem como pelo estilo de pintura dos fauvistas.
O quadro “O Cavaleiro Azul (1903)”, o cavaleiro é um personagem dos contos de fada com o qual Kandinsky teve contato em sua infância, representa o virtuoso combate do bem e do mal, simbolizando luta e renovação. Esta é uma imagem reincidente da fase figurativa do artista.
Em 1908, voltou a Munique. Publicou o ensaio “Do Espiritual na Arte”, em 1911, onde tratou a manifestação artística como expressão de uma necessidade interior.
Em 1912, publicou o almanaque “Der Blaue Reiter” (O Cavaleiro Azul), nome de um quadro e do primeiro grupo expressionista, cuja vertente é mais lírica do que dramática, em relação ao grupo expressionista Die Brücke.
Voltou à Russia durante a Primeira Guerra, onde permaneceu até 1921. Acompanhou a Revolução Socialista e como membro do Comissariado para a Cultura Popular fundou vários museus.
Reorganizou a Academia de Belas Artes de Moscou. Foi também professor da Bauhaus a partir de 1922. Escreveu Ponto e Linha sobre o Plano onde reflete sobre os elementos da linguagem plástica e suas correlações, colocando os problemas da abstração.
Tornou-se cidadão alemão em 1928. Em 1933, a Bauhaus foi fechada pelos nazistas e, em 1937, seus quadros foram confiscados. Em 1939, fugiu para a França, onde naturalizou-se. Morreu em Neuilly-sur-Seine, na França em 1944.
A partir da II Guerra Mundial, Kandinsky passou a dividir seus quadros em três grupos:
  1. “Impressão” – com referência a um modelo naturalista,
  2. “Improvisação” – que pretendiam refletir emoções espontâneas, quando as cores e as formas se comunicam entre si e
  3. “Composição” – o grau mais complexo e elevado, alcançado após longos trabalhos preparatórios.
“Beleza Russa em meio a uma Paisagem” – Wassily Kandinsky, Stadtische Galerie
“Improvisação 6” – Wassily Kandinsky, Stadtische Galerie
“Composição Clara” (1942), óleo sobre tela (73,0 x 92,3 cm).
O desenrolar dos planos é abstrato. A partir de um círculo transparente situado à direita do quadro, Kandisnky constrói o primeiro plano. Por traz dele, duas formas se situam. Uma delas sobrepõe outra, mais geométrica. A forma maior fica por trás dessas duas: quatro planos, então, se desenrolam. Essa sobreposição de planos é incessante e num movimento circular brusco em direção ao plano superior da obra, sua profundidade se organiza. É uma profundidade abstrata iluminada por uma luz clara, sem foco específico...
www.mac.usp.br/projetos/percursos/abstracao/kandinsk.html
Do lado esquerdo, “Uma Mulher Feliz” (1922/26), de Francis Picabia, óleo sobre cartão (93,5 x 73,5 cm). Do lado direito, “Paisagem” (1912), de Albert Gleizes, óleo sobre tela (50,3 x 65,4 cm).
Do lado esquerdo, “Composição” (1938), de Fernand Léger, guache sobre papel (55,6 x 45,3 cm). Do lado direito, “Aldeia” (1912), de Jean Metzinger, óleo sobre tela (91,8 x 65,0 cm).
“Mulher de Vermelho e Verde” – Fernand Léger, Paris
Do lado esquerdo, “Composição”, de Roger Bissière, litogravura (44,0 x 34,0 cm). Do lado direito, “Quadro para Jovens” (1943), de Max Ernst, óleo s/ tela (60,2 x 75,5 cm).
Do lado esquerdo, “Noturno Opus 17” (1939), de Honoré Bérard, óleo sobre tela (92,5 x 65,5 cm). Do lado direito, “Germinação” (1942), de André Masson, guache sobre papel (51,3 x 66,5 cm).

Do lado esquerdo, a obra “Namorados no café” (1950/51), de Roger Chastel, óleo sobre tela (161,7 x 97,0 cm), reúne “cubismo-figuração-abstração”. Chastel participou da 1ª Bienal de São Paulo, onde foi premiado. Do lado direito, “Chama Clara” (1946), de Alfred Manessier, óleo s/ tela (99,8 x 81,0 cm). Manessier também ganhou o 1° Prêmio de Pintura na II Bienal de São Paulo.

Arte no Metrô da Cidade de São Paulo O Metrô foi inaugurado em 1968... Página dedicada à Cidade de São Paulo.
Linha 1 – Azul
  • Jardim São Paulo – Maria Bonomi
  • Santana – Maurício Nogueira Lima, Odiléa Toscano
  • Armênia – Josely Carvalho
  • São Bento – Maurício Nogueira Lima, Odiléa Toscano
  • Sé – Alfredo Ceschiatti, Cláudio Tozzi, Marcelo Nitsche, Mário Gruber, Renina Katz, Waldemar Zaidler
  • Liberdade – Ayao Okamoto, Carlos Alberto Yasoshima, Hironobu Kai, Hisae Sugishita, Laerte Yoshiro, Orui, Lúcio Yutaka Kume, Mário Noboru, Ishikawa, Milton Terumitsu Sogabe, Oscar Satio Oiwa, Toshifumi Nakano, Yae Takeda
  • Paraíso – Betty Milan, Odiléia Toscano, Renato Brunello
  • Santa Cruz – Isabelle Tuchband, Paula Pedrosa, Verena Matzen
  • Conceição – David de Almeida
  • Jabaquara – Odiléa Toscano, Renina Katz
Linha 2 – Verde
  • Clínicas – Denise Milan, Geraldo de Barros
  • Consolação – Tomie Ohtake
  • Trianon-Masp – Pássaro Rocca de Francisco Brennand, doação do banco Francês e Brasileiro S.A.
  • Brigadeiro – Cicero Dias, Fernando Lemos
  • Ana Rosa – Lígia Reinach, Glauco Pinto de Moraes
Linha 3 – Vermelha
  • Barra Funda – Cláudio Tozzi, Emanoel Araújo, José Roberto Aguilar, Valdir Sarubbi
  • Marechal Deodoro – Gontran Guanaes Neto
  • Santa Cecília – Caciporé Torres, José Guerra
  • República – Antônio Peticov (paínéis), Bené Fonteles, Luiz Hermano, Roberto Micoli, Xico Chaves
  • Pedro II – Antonio Cordeiro
  • Brás – Criação Coletiva
  • Tatuapé – Aldemir Martins
  • Penha – Eliana Zaroni Lindenberg
  • Corinthians-Itaquera – Gontran Guanaes Neto


Cândido Portinari – Biografia Sucinta
Cândido Portinari

 PORTINARI, em Auto-retrato de 1956
Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária de desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna. Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.
A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro – São Paulo (na hoje “Via Dutra”), em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país: tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas Getúlio Vargas que, dentre outras qualidades soube cercar-se da nata da intelectualidade brasileira de seu tempo.
No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela O MORRO. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de público, de crítica e mesmo de venda (menor das preocupações do Artista...)
Em dezembro deste ano a Universidade e Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI, HIS LIFE AND ART, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras. Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite do arquiteto Oscaar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu , na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d!Honneur. Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.
O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo banco Boavista do Brasil. Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.
Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA À BAHIA e inicia os estudos para os painéis GUERRA E PAZ, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14x10 m cada - os maiores pintados por Portinari - encontram-se no "hall" de entrada dos delgados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano. Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contado com recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil em 197, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de cinqüenta, Portinari realiza diversas exposições internacionais.
Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. No mesmo ano ainda, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição COLEÇÃO DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.
Algumas obras famosas:

Euclides da Cunha - Clique para ver ampliada
Retrato de Euclides da Cunha

[1944]
Desenho a nanquim bico-de-pena e nanquim pincel/papel
16 x 13cm
Rio de Janeiro, RJ
Assinada na metade inferior direita "Portinari". Sem data

Coleção particular, São Paulo,SP

. OBSERVAÇÃO:

Original para ilustração, reproduzido à página 19, do livro "Perfil de Euclydes e Outros Perfis", de Gilberto Freyre.

Os Retirantes - óleo sobre tela - Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis  - 1944
Retirantes, Série Retirantes

1944
Painel a óleo/tela
190 x 180cm
Petrópolis, RJ
Assinada e datada no canto inferior direito "PORTINARI 944"

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo,SP 

Retrato de Carlos Gomes - primeiro desenho de Portinari, datado de 1914
Retrato de Carlos Gomes - primeiro desenho de Portinari, datado de 1914

Retrato de Carlos Gomes

1914
Desenho a carvão/papel
43 x 42cm
Brodowski, SP
Assinada e datada na metade inferior direita "Candido Portinari 1914"
Inscrições na metade superior direita "LO SCHIAVO", "SALVADOR ROSA", "MARIA TUDOR"; na metade inferior esquerda "TOSCA", "COLOMBO", "CONDOR", "GUARANY" e no centro da metade inferior "Carlos Gomes nascido 17 julho de 1836 e fallecido 16 setembro de 1896"
Coleção particular, Rio de Janeiro,RJ

CANDIDO PORTINARI
(Brodósqui, SP, 1903 - Rio de Janeiro, RJ, 1962)


A Chegada de D. João VI ao Brasil - Óleo sobre tela de 1952
    Estudou pintura na Escola Naciona;l de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1928 ganhou um prêmio de viagem e partiu para a Europa, renovando sua pintura com o que viu. Em 1935 recebeu premiação pela tela "Café"na mostra anual do Carnegie Institute de Pittsburgh. A partir de então dedicou-se cada vez mais à criação de murais - na sua maioria encomendados pelo governo brasileiro. A produção de Portinari foi muitas vezes comparada a dos muralistas mexicanos, não só quanto ao suporte, mas também pela temática - o interesse pela questão social, a narração eloquente e a monumentalidade. Em suas obras, os retirantes nordestinos, os trabalhadores rurais de membros deformados, os tons de marrom e os de roxo dos campos cultivados, expressam a força da terra. A partir de 1944 passou a abordar também temas de sua infância no interior paulista. Em 1948 sofreu influências abstratas e, na década de 50, pintou a série dos cangaceiros, de cores mais intensas. A viagem que realizou em 1956 a Israel transformou sua pintura. Usou seu trçado firme para concretizar formas mais compactas e agressivas.
    Óleo sobre tela de Cândido Portinari
      Mestiço - 1934 - Óleo sobre tela - 81x61 cm
Cronologia
1903 - Nasce em Brodósqui (Brodowski), perto de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no dia 13 de dezembro, filho de imigrantes toscanos que trabalhavam na lavoura de café. Cândido teria dez irmãos - seis mulheres e quatro homens;
1914 - Cria sua primeira gravura, um retrato do compositor Carlos Gomes, em carvão, copiando a imagem de uma carteira de cigarros;
1919 - Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio. Em sérias dificuldades financeiras, Candinho chega a comer a gelatina química que recebe para misturar com as tintas;
1923 - Pinta "Baile na Roça", sua primeira tela de temática nacional. O quadro é recusado pelo salão oficial da Escola de Belas Artes, por fugir dos padrões acadêmicos da época;
1929 - Como prêmio do Salão Nacional de Belas Artes, que obteve com um retrato do amigo (poeta) Olegário Mariano, ganha uma bolsa de estudos em Paris. Ali, descobre Chagall, os muralistas mexicanos e sofre fortes influências do trabalho de Picasso;
1931 - Volta da França casado com a uruguaia Maria Victoria Martinelli;
1935 - Produz uma de suas obras mais famosas, "O Café" e inicia a que é considerada sua fase áurea (1935-1944);
1936 - Começa a dar aulas de pintura na Universidade do Distrito Federal;
1939 - Em 23 de janeiro nasce seu único filho, João Cândido. Cria três painéis para o pavilhão do Brasil na feira mundial de Nova York. Faz uma retrospectiva com 269 obras, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio;
1940 - O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) inaugura a exposição Portinari of Brazil
1942 - Cria painel para a Biblioteca do Congresso dos EUA;
1944 - Trabalha no polêmico altar da Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Muito discutida pelos religiosos, tanto por suas formas arquitetônicas quanto pelo mural de São Francisco com o cachorro, a igreja só seria inaugurada em 1950;
1945 - Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidata-se a deputado federal. Não consegue eleger-se;
1946 - Termina a as obras da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte e faz o painel da sede da ONU, "Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse", com 10 por 14 metros. Expõe 84 obras em Paris. Candidata-se ao Senado pelo PCB, mas também não é eleito;
1950 - Representa o Brasil na Bienal de Veneza;
1953 - Inicia os painéis "Guerra" e "Paz", para a ONU, que terminaria em 1957;
1954 - Começa a manifestar sinais de envenenamento pelo chumbo contido nas tintas com que trabalha: sofre uma hemorragia intestinal e é internado;
1955-56 - Realiza 21 desenhos com lápis de cor para uma edição de Dom Quixote, de Cervantes. A técnica era uma alternativa tentada por Portinari para escapar à intoxicação pelas tintas;
1956 - Faz uma viagem a Israel, onde produz uma série de desenhos a caneta tinteiro;
1959 - Faz as ilustrações para uma edição francesa de "O Poder e a Glória", de Graham Greene;
1960 - Nasce sua neta Denise, e ele passa a pintar um quadro dela por mês, contrariando as recomendações médicas;
1962 - Morre no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro, em conseqüência da progressiva intoxicação. Na época preparava material para uma exposição no palácio Real de Milão;


Café - 1935

    Ainda que amplamente reconhecido no País, Portinari também encontrou críticos e conhecedores de arte dispostos a contestar a justiça da posição alcançada pelo artista. Acusado de desenvolver uma estética de tons fascistas por uns e de adotar um tom excessivamente engajado de "artista de esquerda" por outros ou de apenas reinterpretar o cubismo de Picasso sem desenvolver um estilo próprio, o pintor sobrevive aos seus possíveis pontos fracos, assim como ao próprio mito.
    Na edição de 23 de junho de 1993 da revista Veja, o crítico de arte e editor da revista Novos Estudos (Cebrap), Rodrigo Naves, dedicou duas páginas à tese de que o artista não conseguia libertar-se de um estilo marcadamente sentimental e não resistia a apelar para as emoções derramadas, ainda que socialmente inócuas, com o intuito de obter ampla difusão e reconhecimento, por meio do que chama de "empatia áspera":
"Diante desses trabalhos é praticamente impossível evitar uma resposta de ordem sentimental. Eles provocam, de maneira irremediável, piedade, indignação, tristeza, sensações de desolação ou revolta. E aqui começam os problemas. Nada contra afetos e sentimentos. (...) A questão é que, por suas soluções pictóricas, o trabalho de Portinari tende a nos devolver sempre a um âmbito estritamente pessoal, em que confirmamos de modo reiterado nossas crenças e opiniões e mantemos uma intimidade imune aos desafios daquilo que é novo e imprevisto. E aí os sentimentos tendem ao sentimentalismo."
    O polêmico ponto de vista prossegue, discutindo a eficácia do discurso político-visual de Portinari, um constante simpatizante da esquerda que se filiou ao PCB em 1945:
"(...) Essa violência que não violenta, que nos põe ao abrigo de seus efeitos - como se isso fosse possível - tem desdobramentos no interior das próprias pinturas de Portinari. Raramente suas figuras conseguem comunicar ao espaço de todo o quadro o drama que em princípio seria seu traço fundamental. E as constantes tentativas de dignificar os trabalhadores, dando-lhes um porte grandioso, terminam por encontrar pouca eficácia, uma vez que dificilmente aquela conformação se transmite para o restante dos quadros."
    Habituado a ouvir e a ler interpretações como essas, e sem mergulhar profundamente nas discussões que cercam a obra de Portinari, o filho do artista, João Cândido, costuma afirmar, vendo nisso algo positivo e não como uma deficiência, que seu pai, sim, pintava os trabalhadores de uma forma digna e exuberante. A historiadora da arte Annateresa Fabris avalia que "os quadros de Portinari contrastam com as diretrizes ideológicas do Estado Novo". Segundo ela, "esse contraste se dá pela incidência do negro entre seus personagens, quando a raça negra era acusada de todos os males".
    Perto da conclusão do seu artigo, Rodrigo Naves analisa a influência de Picasso sobre o trabalho de Portinari:
"(...) Essa ânsia de reconhecimento e obtenção de uma dimensão pública teve de pagar o seu preço. Basta ver o uso que ele fez do cubismo de Picasso. A bem dizer, Portinari diagramava Picasso. O pintor de Brodósqui lançava sobre figuras mais ou menos realistas uma trama decorativa que, à maneira de fachos de luz, as recortava e lhes conferia algum dinamismo, preservando contudo sua forma natural. Sem grande função estrutural, essa malha servia de camuflagem moderna a uma pintura de forte teor acadêmico."
    Como lembrou o jornalista Antonio Gonçalves Filho, "críticos como Theon Spanudis viam em seus espantalhos, retirantes, favelados e lavradores pouco mais do que uma diluição do cubismo de Picasso. Spanudis costumava dizer que Portinari era um acadêmico arrependido."
    A influência - inegável - de Picasso é vista por outros críticos como natural. "O veio realista de Portinari ganha reforço na Europa na é em que um Picasso neoclássico era o grande modelo", assinala Annateresa Fabris. "Portinari é moderno dentro das peculiaridades de modernismo no Brasil", que não teve sincronia com os movimentos estéticos do Velho Mundo.

Recomendação: http://www.museucasadeportinari.org.br 

                ASS: Luana


Obras de Pablo Picasso!!!













Ass: Luana